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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

socos e voadoras: professores relatam experiências de violência na escola

12,5% dos professores ouvidos no Brasil contaram que são vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunosReprodução/Rede Record
Monica* estava orientando alguns alunos que trabalhavam em grupo num colégio da rede estadual do Rio de Janeiro quando sentiu um cabo de vassoura ser colocado em suas nádegas. Ela virou, mas os responsáveis pelo ato saíram correndo.
Um vigia descobriu os estudantes escondidos em outra sala. A professora fez um BO (Boletim de Ocorrência). Na delegacia, o incidente foi classificado como “ato obsceno”.
Em São Paulo, Ana* dava aula em um colégio estadual quando descobriu um desenho dela com teor ofensivo e sexual.  A professora foi retratada em roupas íntimas, com os seios enormes e traços que aludiam sua raça negativamente. Ela é negra.  
Três docentes da instituição de ensino em que Ana trabalha já haviam sido agredidos pelos alunos neste ano. Um deles foi assaltado e parou de dar aula na escola. Outros dois foram golpeados com voadoras. O primeiro, identificado como Luis*, está afastado há mais de seis meses com síndrome do pânico. O outro professor continua trabalhando.
Em uma carta enviada ao R7 Marina* conta que foi humilhada por um parente de um aluno na saída da escola. Tentando manter a ordem na sala até tocar o sinal, ela pediu para as crianças diminuírem a bagunça quando o indivíduo se exaltou e a xingou diversas vezes na frente dos pais e dos estudantes.
Outra professora paulista, socada por um estudante dentro  na frente da turma, chegou a dar entrevista, mas voltou atrás e pediu para que sua história não fosse detalhada na reportagem porque “teme as consequências da divulgação da agressão”.
As histórias citadas acima mostram que a violência está cada vez mais presente no dia a dia das escolas do País. Uma pesquisa global feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com  100 mil professores e diretores de escola de 34 países mostrou que o Brasil está no topo de um ranking de agressões dentro de insituições de ensino.
Na enquete, 12,5% dos professores ouvidos no Brasil contaram que são vítimas de ataques verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.
É o índice mais alto entre os países pesquisados — a média entre eles é de 3,4%. Depois do Brasil, vem a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%.
Outro levantamento realizado em janeiro pelo Instituto Data Popular a pedido da  Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) destacou que quase metade dos alunos (44%) e mais de um quarto dos professores (28%) afirmaram que já foram vítimas de violência.
A enquete indicou um grau elevado de agressividade no ambiente escolar: (84%) dos professores e (77%) dos alunos afirmaram que tomaram conhecimento de casos de violência em suas escolas no último ano.
Punição
Em todos os depoimentos coletados pela reportagem, os professores lembraram que a falta de punição é um agravante que acaba estimulando os atos de violência.
No Brasil, menores de idade que cometem agressões e até assassinatos não respondem criminalmente. Eles são considerados infrações.
Martim de Almeida Sampaio, advogado e diretor de Direitos Humanos da OAB-SP, explica que qualquer ocorrência envolvendo crianças de até 12 anos vai parar no Conselho Tutelar. Atos praticados por estudantes com idade entre 12 e 18 anos incompletos são julgados na Vara da Infância e da Juventude.
— Dentro do Conselho Tutelar e na Vara da Infância as punições variam de advertências verbais, prestação de serviço comunitário até a apreensão em instituições de proteção de menores, como por exemplo, a Fundação Casa. Quando os praticantes são menores agressões e até homicídios não são julgados como crimes, mas como infrações.
O especialista comenta que atos obscenos e agressões verbais geralmente são punidos com advertências verbais e serviço comunitário.
A agressão física é classificada conforme a tipificação do delito. Em alguns casos os menores podem ser apreendidos em regime fechado ou semiaberto.
Se praticarem atos graves, como por exemplo uma tentativa de homicídio, os menores podem ficar apreendidos até os 21 anos.
Nas escolas, a prática comum é impedir a matrícula dos alunos agressores no próximo ano, pedir sua transferência e, em casos extremos, expulsá-los.  
Denúncias
Os docentes contaram que falta de fiscalização destes incidentes nas escolas tira muitos professores da sala de aula. Eles disseram que, no geral,  a orientação dada pela direção da escola é  não denunciar o problema, fato que aumenta ainda mais a sensação de insegurança.
Mônica, agredida no Rio de Janeiro, relata que “a direção do colégio não queria que eu fizesse o BO porque isso ia ´denegrir´ o nome da escola. Depois que eu comuniquei a polícia do problema os casos de violência diminuíram.”
Ana também foi aconselhada a não registrar queixa. O aluno que fez a caricatura ofensiva era maior de idade e ela acabou perdoando. A docente disse que o rapaz se mostrou arrependido e, por isso, ela optou por "agir com o coração".
Outra professora disse que fez um boletim de ocorrência online, mas como não teve acesso aos dados do aluno o pedido foi indeferido. 
Sampaio, que além de advogado já foi professor, relata que presenciou a demissão de um colega socado por um aluno em uma universidade particular. Neste caso o desfecho favoreceu o docente.
— Quando eu dava aula um colega foi agredido com um soco por um aluno e a instituição optou por demiti-lo. Fiquei indignado e pedi demissão também. Depois, entrei com uma ação criminal e trabalhista para defender o professor que venceu os dois processos.
O professor foi indenizado pela faculdade na Justiça do Trabalho. O aluno era maior de idade e foi julgado pelo crime de lesão coporal, mas pegou pena mínima.
* Os nomes citados nesta reportagem estão incompletos ou são fictícios em respeito ao anonimato dado aos entrevistados

Essa matéria foi tirada do portal R7 todos os créditos ao portal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Curso de Quenya.


Se você gostou da postagem sobre Quenya, veja o curso completo.

Curso de Quenya

Este curso de quenya grátis pode ser baixado como arquivos PDF (é necessário o Acrobat Reader para visualizar os arquivos; clique aqui para fazer o download do programa; para a versão em arquivo único, é necessário também o WinRAR para descompactar o arquivo – clique aqui para fazer o download do programa). Note que se você quer imprimir qualquer versão deste curso, o cartucho de sua impressora deve ser de preferência colorido, visto que às vezes variantes de cores são usadas para indicar partes equivalentes de uma palavra ou frase em quenya e em português.
O curso não pressupõe conhecimento de lingüística; mesmo os termos e conceitos mais elementares são explicados. O que ele pressupõe é um interesse profundo e sério da parte do estudante, pois este curso não visa apenas apresentar a gramática do quenya como tal, mas também muito dos argumentos e deduções básicas pelos quais nosso atual conhecimento de quenya foi meticulosamente extraído das fontes primitivas.
Este é um projeto não-comercial, de modo que eu posso muito bem me permitir ser honesto: este curso é para o estudante sério que realmente quer estudar um dos idiomas mais altamente desenvolvidos já criados por Tolkien, examinando-o em todos os seus ricos e intricados detalhes – um estudo tomado largamente (ou inteiramente) para sua própria apreciação. Conhecer o quenya dificilmente será de muita ajuda para arranjar um emprego. Este curso não é para os medrosos que são incapazes de apreciar verdadeiramente uma discussão prolongada de (digamos) se o ny deve ser considerado um encontro consonantal n + y ou uma única consoante como o ñ espanhol. Tento apresentar a estrutura e a gramática do quenya de uma maneira atraente, mas o  estudante não deve ter medo de “tecnicalidades”; este curso é sobre tecnicalidades. Se você quer “aprender quenya” simplesmente porque você gostaria de criar alguns nomes élficos legais para serem usados em rpg, a possibilidade é de que você não está de forma alguma preparado para se aprofundar na quantidade de informação aqui apresentada. Se, por outro lado, seu interesse é suficiente para ir até o fim deste curso, você não sairá apenas com uma percepção da gramática do quenya que é quase tão completa quanto o material publicado permite ser – você também saberá do que se trata a pesquisa no campo da lingüística tolkieniana.
O curso em si consiste de vinte lições, todas estão disponíveis para download. Também há vários apêndices.
Uma versão revisada deste curso foi colocada online em fevereiro de 2004; as revisões mais significantes têm a ver com o material novo publicado no Vinyar Tengwar, edições 43 e 44 (procure pelas referências VT43 e VT44 no texto do curso).
Curso de Quenya Completo - Introdução, lições de 1 a 20, apêndices, vocabulário e respostas dos exercícios em arquivo único!
Curso de Quenya Completo (4081)
Introdução – ela é longa, mas pule-a por risco próprio! Assuntos abordados: Por que estudar quenya? – A questão dos direitos autorais – Como é o quenya? – As fontes – Uma palavra de advertência a respeito das partes do corpus – Convenções ortográficas.
Para saber mais visite: Ardalambion

Você sabe o que é Quenya?


Quenya (AFI[ˈkʷɛɲa]) é uma língua artificial fictícia, criada por J.R.R.Tolkien para que fosse falada pelos Elfos de sua obra. Em sua mitologia, foi desenvolvida pelos Elfos não-Telerin que alcançaram Valinor (os "Altos-elfos") a partir de uma língua anterior chamada Eldarin Comum, que também evoluiu do chamado Quendiano Primitivo.
Das Três Casas dos Elfos, os Noldor e os Vanyar falavam dialetos do Quenya um pouco diferentes, mas inteligíveis, o "Quenya Noldorin", ou "Quenya Exílico" (chamado assim por causa da fuga dos Noldor para a Terra-média) e o "Quenya Vanyarin", também chamado de "Quendya". O Quenya também foi adotado pelos Valar, que introduziram nele algumas palavras de sua própria língua, o Valarin, embora essas fossem mais numerosas no dialeto Vanyarin do que no dialeto Noldorin do Quenya, provavelmente pela maior convivência dos Vanyar com os Valar.
Na Terceira Era do Sol o Quenya não era mais uma língua viva na Terra-média: a maior parte dos elfos falava o Sindarin, e a maioria dos Humanos falava o Westron. O Quenya era utilizado como uma língua cerimonial ou utilizada em registros, assim como o Latim era utilizado na Europa medieval. Por conta da semelhança no uso, Tolkien chamou o Quenya de "latim élfico".
O Quenya foi a primeira língua élfica a ser escrita, primeiramente com o sistema Sarati de Rúmil, depois com as Tengwar de Fëanor.

História fictícia
Como é dito no terceiro capítulo de O Silmarillion, os elfos criaram a língua nos arredores de Cuiviénen, antes mesmo de encontrarem o Vala Oromë:
Descrição: Cquote1.svg
Eles começaram a criar a fala e a dar nomes a todas as coisas que percebiam. A si mesmos, chamaram quendi, querendo dizer aqueles que falam com vozes. Pois até então não haviam conhecido nenhum outro ser vivo que falasse ou cantasse.
Tolkien
Já que as estrelas foram as primeiras coisas vistas pelos elfos quando despertaram, a palavra el "estrela" foi a primeira inventada, originalmente como uma exclamação de adoração, eOromë nomeou os elfos Eldar "povo das estrelas" na língua deles. Similarmente, de acordo com o Cuivienenyarna,
Descrição: Cquote1.svg
Imin, Tata e Enel acordaram antes de suas esposas, e a primeira coisa que eles viram foram as estrelas, pois eles acordaram no crepúsculo antes do amanhecer. E a próxima coisa que eles viram foram suas esposas destinadas, deitadas dormindo na grama ao lado deles. Então eles ficaram tão enamorados de sua beleza que seu desejo pela fala foi imediatamente acelerado e eles começaram a "pensar em palavras" para falar e cantar nelas. (HoME 11, p. 421).
— '
Ao longo do tempo, contudo, os Eldar mudaram sua língua, adicionando a ela palavras de sua preferência e as suavizando de suas origens quando eram importadas do Valarin. Os Valaradotaram essa língua para conversar com os elfos em Valinor.
Os Noldor que fugiram da Terra-média seguindo o Ocaso de Valinor falavam o Quenya entre si. Contudo, quando Elu Thingol de Doriath, que era rei dos Sindar (elfos da linhagem Telerinque permaneceram em Beleriand ao invés de continuar a jornada até Valinor) soube do assassinato dos Teleri em Aman, ele proibiu o uso do Quenya em seu reino. Contudo, antes da proibição, os Sindar se mostraram lentos em aprender o Quenya, enquanto os Noldor foram rápidos no aprendizado do Sindarin (O Silmarillion, capítulo 15).
Tendo deixado de ser utilizado diariamente, o Quenya tornou-se uma língua cerimonial. Na época de O Senhor dos AnéisGaladriel era a única personagem élfica de grande importância que aprendeu o Quenya como sua língua-mãe. O Quenya exílico difere um pouco do Quenya valinoreano, pois a língua continuou a evoluir depois do exílio e recebeu uma regularização quando se tornou uma língua livresca. Houve algumas mudanças na pronúncia também.
Fonologia
Vogais
O Quenya tem 10 vogais básicas organizadas em pares de curtas e longas.
Frontal
Central
Anterior
longa
curta
longa
curta
longa
curta
Fechada
ɪ
u
Média
ɛ
ɔ
Aberta
ɑː
a
Tolkien citou que o <é> e <ó> longos, quando pronunciados corretamente, eram mais "tensos e 'fechados'" que suas contrapartes curtas, portanto se aproximando ao [i] e [u] respectivamente. O Eldarin não possuía [ɔ] embora o Valarin e o Sindarin em seus estados mais primitivos o possuíssem.
Ditongos
Semivogal
Posterior
Anterior
i
iu
e
eu
a
ai
au
o
oi
u
ui
Todos os ditongos do Quenya são decrescentes.
Consoantes
Todas as consoantes estão escritas de acordo com seus valores no AFI, a não ser que seja dito o contrário.

Labial
Alveolar
Palatal
Velar
Glotal
plana
lab.
plana
lab.
Nasal
m
n
¹
ɲ³
ŋ6
ŋʷ11

Plosiva
p  b
t  d

c²
k7 g
10

Fricativa
f  v
s

ç5
x8

h
Vibrante

r





Aproximante
lateral

l

ʎ4

ʍ12  w

central



j9



1.    escrita <nw>
2.    escrita <ty>
3.    escrita <ny>
4.    escrita <ly>
5.    escrita <h> ou <hy>
6.    escrita <ng> ou <ñ>
7.    escrita <c>
8.    escrita <h>
9.    escrita <y>
10. escrita <qu>
11. escrita <ngw> ou <ñw>
12. escrita <hw>
/h/ era originalmente [x] em todas as posições, mas sofreu lenição para [h] quando em posição inicial. Ele manteve a pronúncia [x] intervocalicamente, como em aha [axa] "fúria" (até a Terceira Era, quando também sofreu lenição nessa posição), e entre as vogais anteriores /a, o, u/ e /t/, as in ohtar [oxtar] "guerreiro". Entre as vogais posteriores /e, i/ e /t/, /h/ é palatizado para [ç], como em nehta [neçta] "ponta de lança".
A pronúncia de hy, originalmente escrita com uma só letra, foi suavizada para [h] na Terceira Era, e portanto a seqüência /h/ /j/ foi então usada para expressar [ç].
Tolkien vacilou entre ng e ñ na escrita da nasal velar em Quenya, mas é dito que ele favoreceu esta última em escritos tardios até sua morte. Na Terceira Era, a pronúncia do [ŋ] inicial avançou para [n].
Gramática
As palavras em Quenya declinam em nove casos gramaticaisnominativoacusativo (lembrando que esse caso deixou de existir no Quenya moderno), genitivodativoinstrumental,possessivoalativolocativo e ablativo; e flexionam-se em quatro números gramaticaissingularplural e dualplural partitivo.
O dual indica um par de coisas que são, de alguma forma, relacionadas. Tome-se como exemplo a palavra Cirya, barco. Se dois barcos tivessem alguma relação, como sendo gêmeos, o seu plural dual seria Ciryat ao invés de Atta ciryar, que mostraria dois barcos aleatórios. Outro exemplo de pares lógicos, relacionados, são de partes do corpo. "Dois olhos" de uma mesma pessoa seria dito Hendu, ao passo que um olho de uma pessoa e outro de outra pessoa seria dito Atta hendi.
Corpus
Os exemplos de Quenya mais conhecidos são extraídos de O Senhor dos Anéis, entre eles o célebre poema Namárië e a famosa saudação "Elen síla lúmenn' omentielvo" (uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro), também sendo encontrado fora da trilogia, como no poema Markirya, este escrito em diversos estágios de aprimoramento do idioma, por Tolkien.