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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Trecho do livro:Mecanografia de Edulo Penafiel


(Texto do livro Mecanografia de Edulo Penafiel)
"Filho de um piloto do mesmo nome, o padre Francisco João de Azevedo nasceu na cidade da Paraiba em 1814. Cedo ficou órfão e auxiliado por amigos de seu pai foi mandado estudar no seminário do Recife, onde tomou ordens religiosas em 1838. Dotado de grande inteligência e amor aos estudos destacou-se desde logo como professor de desenho e geometria.Mais tarde, tendo sido o padre Azevedo designado para dar aulas no Arsenal de Guerra de Pernambuco, sua inclinação natural para a mecânica atraiu-o para as oficinas onde passou a empregar quase todo seu tempo.
Sabe-se por carta de seu próprio punho, que o sábio sacerdote antes de pensar na máquina de escrever dedicava-se a aperfeiçoar dois inventos cujos pormenores infelizmente de todo se perderam.
O primeiro era um veículo terrestre movimentado inteiramente pela força do vento e que se destinava a servir de transporte entre Olinda e Recife; o segundo era um engenho para aproveitar o movimento das ondas do mar, aplicando-o na própria marcha do navio. Na época em que viveu o padre Azevedo o atraso material do Brasil era ainda muito grande para que alguém mais se interessasse por tais invenções, restando a esperança de que algum feliz acaso nos venha proporcionar detalhes das invenções do nosso patrício.
Por serem de grande curiosidade reproduzimos trechos da carta que ele escreveu a um jornal de Recife, em 1875, a propósito de seu veículo:
"O acabamento e a timidez da minha índole, a falta de meios, e o retiro em que vivo, não me facilitam o acesso aos gabinetes onde se fabricam as reputações e se dá diploma de suficiência. Daí vem que as minhas pobres invenções definhem, morram crestadas pela indiferença e pela falta de jeito"...............................................
"O motor a empregar era o vento e os carros deviam mover-se em todos os sentidos, ainda mesmo em direção oposta ao vento, podendo mover-se em sentido circular sem que em nenhum dos casos diminuísse a velocidade primitiva".
Azevedo termina a carta oferecendo sua invenção ao público, sem interesse algum de sua parte, oferecimento que lastimavelmente ninguém aproveitou.

ARGUMENTOS PERSUASIVOS E FAVORÁVEIS AO PADRE AZEVEDO 
Sem assumirmos qualquer partidarismo, apenas alicerçados  em relatos, os fatos parecem refletir que houve uma grande usurpação aos devidos méritos do padre Azevedo, senão vejamos:

PRIMEIRO RELATO (DO LIVRO- MECANOGRAFIA ACIMA CITADO)
"Por um catálogo da "Exposição dos Produtos Naturais, Agrícola e Industriais das Províncias de Pernambuco, Alagoas, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará", realizada em 1861, conseguimos saber os seguintes dados sobre a máquina de escrever do padre Azevedo:"Representa e tem configuração de uma espécie de piano pequenino, com um teclado contendo quatorze teclas, oito à direita e oito à esquerda (sic).
Logo que se comprime uma dessas teclas que representam pequenas alavancas, ergue-se na extremidade dela uma delgada haste que tem na ponta uma letra esculpida em metal e em alto relevo, a qual vai encaixar-se em outra igual esculpida em baixo relevo, em uma chapa metálica fixa em cima destas hastes".
A exposição pernambucana em que esta máquina figurou era preparatória a um certame no Rio de Janeiro, que se inaugurou em 2 de dezembro de 1861, onde ela recebeu uma das nove medalhas de ouro distribuídas entre um total de 1.136 expositores, sinal evidente de seu mérito. Projetava-se enviar a nova invenção à exposição de Londres em 1862, primeira feira internacional em que o Brasil figuraria. Na época do embarque, porém, deixaram-na ficas, esquecida.
As crônicas de Pernambuco relatam que em 1866 chegaram a Recife diversas famílias norte americanas, expatriadas após a derrota dos escravagistas dos estados do Sul, que procuravam estabelecer em Pernambuco um núcleo colonial. 
Naquele mesmo ano de 1866 (A) na revista americana "Scientific American"apareceu um artigo intitulado "Who Will invent a writing machine ? ", provando que naquele ano não existia ainda a máquina de escrever na América do Norte, pois tal fato não poderia ser desconhecido de uma revista especializada, como aquela, em que no citado artigo justamente procurava animar seus compatriotas a procederem às tentativas necessárias a sua construção. 

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